Teve um mês em que o TikTok decretou oficialmente: a gente entrou na Grande Depressão dos Memes. Criadores encenando crise criativa com trilha triste, filtro preto e branco e textos do tipo "tô scrollando há 2h e nada me fez rir". A piada virou a ausência de piada. E o flop virou ouro.
O movimento parece bobagem, mas é metalinguagem pura: a plataforma rindo do próprio esgotamento. Quando o meme vira "não existe meme", o que a audiência está dizendo é que percebe o ciclo de conteúdo acelerando e se repetindo. E audiência que percebe o truque é audiência que mudou de fase.
fadiga de formato é o dado mais subestimado do planejamento de conteúdo. O TikTok What's Next Report já apontava que 75% dos usuários se conectam mais com marcas que mostram pessoas reais em situações reais. A Depressão dos Memes é o mesmo sinal por outro ângulo: a performance da graça constante cansou, e a autoconsciência virou o novo código de humor.
primeiro, pare de perseguir o meme da semana com sete dias de atraso e aprovação em três camadas; quando chega, a piada já morreu, e a audiência percebe. Segundo, teste o humor autoconsciente: marca que admite o flop, que ri do próprio processo, que mostra o bastidor da campanha que não deu certo, está falando a língua do momento. Terceiro, invista menos em volume de trend e mais em uma leitura por semana feita por gente que entende o que a trend significa.
O meme acabou? Não. Ele só cansou de fingir que tava tudo bem. E quem lê esse cansaço antes do concorrente, posta certo.
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